| Maribondos no pé | ||||
| Francisco Dandão
Veja-se, por exemplo, o caso desse time da Espanha, que chega à final com ares de favorito pelo belo futebol que vem jogando. Apesar de ter desembarcado na África do Sul como um dos mais fortes candidatos ao título, essa convicção foi arrefecida nas cabeças de muitos quando a “Fúria” perdeu a primeira partida para uma Suíça tida com coadjuvante. No decorrer da competição, porém, as sucessivas vitórias espanholas sobre Honduras (dois a zero), Chile (dois a um), Portugal (um a zero), Paraguai (um a zero) e Alemanha (um a zero) fizeram a confiança voltar aos corações dos amantes das touradas de Madri. Ou seja: no espaço de menos de um mês duas guinadas de raciocínio, fé e eternas verdades. Ou então, ainda a título de exemplos dessas inversões, veja-se o caso das seleções representantes do continente sul-americano. Na fase das quartas-de-final, das oito equipes que se apresentaram para seguir na competição nada menos do que a metade delas pertencia a esse pedaço de planeta. E não faziam confrontos diretos. Todas poderiam ir às semifinais. Pois muito bem. A despeito das louvações que se seguiram, ante a possibilidade das quatro seleções sul-americanas avançarem, o que as transformaria nas quatro melhores do planeta bola, a despeito disso, como eu disse, apenas e tão somente o Uruguai derrotou sua oponente, a seleção de Gana. As demais, Brasil, Argentina e Paraguai, deram adeus ao sonho. No que diz respeito ao Paraguai, até que não foi uma decepção tão grande assim. Chegar às quartas-de-final valeu até condecorações aos jogadores da seleção guarani. Em nome do padre/presidente do país, a nação parou para receber os heróis que ousaram chegar numa posição jamais alcançada. Dizem que teve até gente mergulhando em Itaipu! Já no caso da Argentina, pelo amor de Deus. Com aquele material humano que o “gênio” (rebaixei o homem) Maradona tinha nas mãos parecia até muito fácil levar a taça pras margens do rio da Prata. Só parecia. Aliás, falar em Deus, talvez o que tenha faltado aos portenhos tenha sido justamente a mão Dele (como naquela vez no México, lembram-se?). Quanto à República das Bananas (ou seria dos “volantes”?) verdes (mas também amarelas e podres), o descrédito inicial foi se transformando em esperança, principalmente depois da vitória contra o Chile. Pelo meu raciocínio, tanto esse descrédito quanto essa esperança se configuram também perfeitas traduções disso que eu chamo verdades efêmeras do futebol... No final das contas, uma laranjeira cheia de “maribondos no pé” acabou azedando o nosso paladar! Tudo absolutamente circunstancial! (Publicada em www.grandearea.com - 9 de julho de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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