| Confronto épico | ||||
| Francisco Dandão
Numa situação desta natureza, em que os dois lados precisam desesperadamente da vitória, sob pena de, não sendo assim, afundarem na competição, eu acho que a idéia que passa na cabeça da galera é a de que vai ser um daqueles jogaços, com os times buscando o gol obsessiva e freneticamente e onde cada atleta esteja disposto a suar sangue pelo triunfo. Mas também, em sentido diametralmente oposto, eu alerto que pode não acontecer nada disso e, ao invés da volúpia pela construção do placar, pode ser um jogo bem chato, com os times adotando posturas cautelosas, saindo para tentar a vitória só nos contra-ataques, movidos pelo medo bastante provável do surgimento de nuvens mais pesadas no horizonte. Para tentar descobrir (ou, no mínimo, encontrar algum indício) do que poderá vir a ser esse jogo, eu passei a semana acompanhando o noticiário esportivo tanto do Acre quanto do Ceará. Declarações de técnicos, entrevistas de jogadores, expectativa de torcedores, possíveis escalações, situação dos últimos reforços, ações de bastidores etc. e tal. E nessas observações da semana, lendo linhas deitadas aqui, entrelinhas dispostas acolá, entre um embalo e outro da minha rede estrategicamente disposta com os punhos apontando para a nascente e o poente, um pouco cochilando, um pouco de olhos bem abertos, eu pude descobrir coisas interessantes tanto de um lado quanto do outro. Do lado do Fortaleza, duas coisas. Primeira: Finazzi, a jóia rara das novas contratações do Tricolor do Pici, está fora, por uma lesão na batata da perna (apelido antigo da “panturrilha”). Segunda: na falta do referido artilheiro, a grande providência foi a celebração de uma missa, oficiada por um padre que já levou até uma camisa do clube ao Papa Bento XVI. Do lado do Rio Branco, igualmente duas coisas. Primeira: o artilheiro Marcelo Brás, se já era um sujeito venenoso, agora depois de uma dieta a base de carne de cobra, na sua passagem pela Ásia, certamente voltou mais letal ainda. Segunda: mais do que treinar jogadas ensaiadas, o Estrelão dedicou-se mesmo foi a aprender como se deve lavar roupa suja. Ficamos, então, no aguardo desse confronto épico. Confronto que pode reacender as esperanças de um dos dois times de subir para a Série B, e fazer o outro deles descer de “bubuia”, rodeado de dejetos, no sentido da cidade de Manacapuru, local onde, no dizer do falecido cronista Aloísio Macedo Maia, o surubim costuma chorar para recepcionar os derrotados. (Publicada no jornal O Rio Branco - 25 de julho de 2010) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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