Francisco Dandão
 
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  Providências necessárias  
         
 

Francisco Dandão

duas semanas e dezoito jogos depois de iniciada a Série C do campeonato brasileiro de futebol, qual a equipe que sofreu a maior goleada da competição? Lamentavelmente, para nós acreanos, justamente o nosso representante, o Rio Branco Futebol Clube, naquela estréia desastrosa, em Belém, quando a artilharia do Paysandu fez a festa ao ritmo de um carimbó.

     Mas esse placar elástico poderia não passar de um mero acidente de percurso se (“e somente se”, como dizia o professor de matemática dos meus tempos de “ginasiano”, quando se referia a certa situação “biunívoca” da teoria dos conjuntos) no jogo seguinte o Rio Branco fizesse o dever de casa, batendo o visitante Fortaleza, o que, evidentemente, não aconteceu.

     Aí, aquele “sinal de alerta” ao qual eu me referi depois da pancada na capital do tacacá, se transformou em “vermelhidão” total e absoluta. A cor da camisa transfigurada na perspectiva de inferno futuro. O abismo passou de possibilidade a perigo real e imediato. Mais um passinho e “adeus, mundo cruel”. Alguém tinha que fazer alguma coisa, urgentemente.

     Pois bem. O presidente Natal Xavier fez. E fez muito bem, na minha modesta opinião. Como comandante atento e diligente, mandou embora um bocado de gente. Do artilheiro que não chegou a sair do “papel”, passando pelos defensores “peneiras” (ou “tábua de pirulito”, tamanho os furos deixados na retaguarda da equipe), até ao técnico anteriormente sonhado.

     Se as providências do Natal vão dar certo, não é possível a gente afirmar taxativamente. Somente na partida do próximo dia 8, contra o São Raimundo, de Santarém, é que poderemos saber. Mas que o elenco levou uma boa sacolejada, creio que isso ninguém pode negar. Melhor morrer esperneando do que entregar o pescoço ao carrasco sem alguma luta!

     Da minha parte, eu penso que pior do que estava não poderá ficar. Na minha percepção, o jogo contra o Fortaleza, que eu assisti pela TV Diário, dada a minha passagem pela capital cearense, foi simplesmente sofrível. A impressão que eu tive foi a de que os jogadores em campo naquele dia jamais haviam sido apresentados um ao outro. Tenebroso!

     E essa impressão não foi somente minha. O locutor da TV Diário, respeitável cronista Tom Barros, mesmo torcendo pelo sucesso do Fortaleza, num dado momento não agüentou o exercício explícito da mediocridade geral e disparou: “O Rio Branco não é nem sombra daquela equipe dos anos anteriores, que quase conseguiu o acesso à Série B”.

     Fora isso, só para dar ainda mais razão ao Natal, contrariando quem achou a atitude dele intempestiva, um conceito que eu li por esses dias num livro do polonês Zygmunt Bauman, sobre o fim da capacidade de duração das coisas. “Dos objetos e dos laços, exige-se apenas que sirvam durante algum tempo”. O obsoleto deve ser destruído (ou descartado)! Tal e qual...

(Publicada no jornal O Rio Branco - 01 de agosto de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro