Francisco Dandão
 
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  Os novos meninos do Brasil  
         
 

Francisco Dandão

o futebol brasileiro parece ter uma capacidade infinita de regeneração. Numa hora está depressivo, à beira do precipício, deixando todo mundo meio desanimado, e então eis que de repente, não mais que de repente, ressurge pujante e avassalador, atropelando o adversário da vez.

     Prova disso que eu estou dizendo aí no parágrafo de cima foi a exibição de terça-feira passada (10), contra os Estados Unidos, lá na casa dos caras. Se eles acharam que podiam com a gente (“Yes, we can”), se enganaram total e redondamente (como uma propaganda da Skol?).

     Um mês atrás, parecia impossível para a maioria de nós “arquibaldos” (peço vênia a Nelson Rodrigues) que a nossa seleção pudesse ainda fazer uma exibição do porte desta que botou os americanos, literalmente, na roda. Apenas parecia, agora já não parece de jeito nenhum.

     Os brucutus que o técnico anterior a Mano Menezes levou à Copa do Mundo é que berravam nos nossos ouvidos que o futebol moderno deveria ser um jogo chato, de marcação, esperando o adversário errar para tentar alguma coisa lá na frente. Tanto essa tese foi defendida que acabamos perdendo um dos mundiais que eu reputo como dos mais fáceis de vencer.

     Aquela laranja holandesa do nosso desgosto só virou aquele jogo porque, de verdade mesmo, nós não tínhamos ninguém com capacidade suficiente para espremê-la. Coisa mais ridícula aquele jogo. Quando lembro ainda me embrulha o estômago. Pra completar, mal acabou a partida e eu ainda me defrontei com uma gringa argentina fingindo me consolar. Eca!

     Neymar e Paulo Henrique Ganso, cantados em prosa e verso por onze entre dez torcedores para estrear na Copa da África, passaram por Nova York como um furacão. Azar do técnico anterior (e azar nosso, por extensão), que explicou a não convocação deles por não tê-los testado nos anos de preparação. Argumento simplório, de uma cabeça pra lá de obtusa.

     Sobre o Paulo Henrique Ganso, aliás, cabe o registro de que ele foi preterido por um jogador praticamente sem condição de jogo. Um jogador - Kaká, no caso - que declarou no meio dessa semana que recém passou que precisou até tomar “infiltrações” (injeções na parte afetada do corpo para não sentir dor – uma irresponsabilidade!) para poder entrar em campo.

     Felizmente, como diz a sabedoria popular, “não há mal que dure para sempre”. Neymar, Lucas, André, David Luiz, Ganso, Pato e outros bichos devolveram a nossa alegria e nos dão a esperança de que podem vir mais títulos por aí. Torço e boto fé! Com a volúpia dos atuais meninos do Brasil só Deus é que poderá salvar a América! Dois a zero foi muitíssimo pouco!

(Publicada em www.grandearea.com - 13 de agosto de 2010)

 
         
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro