Francisco Dandão
 
Principal    Depoimentos    Obras    Textos     Crônicas     Entrevistas    Biografia    Fotos    Contato
   
         
  Carnaval, carnavais...  
         
  Francisco Dandão

Em qualquer recanto desse imenso país tropical, a expectativa do momento está por conta da próxima quadra carnavalesca. A cada fim de semana - seja no litoral, na floresta, na serra ou no sertão - afina-se o couro dos tamborins, acerta-se a batida dos surdos, ajustam-se o passo, a saia e o compasso das baianas... Enfim, a chamada esbórnia de Momo ganha vida!

Durante quatro dias muita gente vai tratar de esquecer as agruras contumazes que teimam em grudar na pele no restante do ano... Esquecer que vai ser preciso gastar mais para viver do mesmo jeito, esquecer que tem mais carros nas ruas para dificultar a locomoção, esquecer que a violência urbana já passou dos limites... Dançar, cantar, beber e esquecer!

Com toda essa necessidade de exercitar o esquecimento, talvez seja por conta disso que a maioria de nós deixa de lembrar os muitos outros “carnavais” (aqueles sem ritmo de samba ou axé) que acontecem quase todos os dias, envolvendo o futebol, seja da parte dos dirigentes trapalhões, seja dos jogadores incompetentes, seja dos torcedores selvagens.

Vamos, então, à lembrança de alguns destes últimos “carnavais”.

Carnaval do terror: Múmias paralíticas sobem dos seus sarcófagos seculares, atravessam os vestiários egípcios, infiltram-se entre duas torcidas rivais e descem o porrete para todos os lados. Resultado: dezenas de mortos e feridos e a certeza de que a barbárie é uma “pirâmide” em ascensão!

Carnaval da patologia: Tradicional time de três cores, conhecido pelo pó de arroz que seus adeptos costumavam jogar sobre as “laranjeiras” em flor das areias do Rio de Janeiro, devidamente patrocinado por uma operadora de planos de saúde, perde para equipe que só tem de “boa a vista”. Diagnóstico: nem só de craques se faz uma equipe vencedora!

Carnaval dos bastidores: Prefeito e dirigente de clube do interior do Acre, clube esse cujo símbolo é justamente o rei Leão, não conseguem acertar suas diferenças, muito menos falar uma língua comum que possa contribuir para tornar a equipe competitiva no próximo campeonato. Prognóstico: segunda divisão vai ser o destino certo do referido felino.

Carnaval do Museu: Lista organizada por uma entidade mundial de história do futebol situou, nesta semana que passou, o Barcelona como o melhor time do mundo. Até aí nada de mais. É isso mesmo. O problema é que o primeiro time brasileiro, o Santos de Neymar, só aparece em sexto lugar. Moral da história: daqui a pouco o Brasil vai perder até de si mesmo!

Carnaval do calote: Tradicionalíssimo clube de cores vermelha e preta, conhecido pelo urubu que ostenta como mascote, consegue passar à fase de grupos da Taça Libertadores, festeja o feito, mas atrasa o pagamento da moçada e contrata um técnico poliglota. Primeiras palavras do novo chefe: “Laikar, nóis laika, mas mony quié gud nóis num reve”!

Publicada no Jornal O Rio Branco, 05 de fevereiro de 2012

 
         
         
 
VOLTAR Voltar
 
TOPO   IMPRIMIR   ENVIAR E-MAIL 
© Francisco de Moura Pinheiro