Francisco Dandão
 
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  Radamés Latari
Ex-técnico da seleção brasileira de
voleibol quer ser dirigente do Flamengo
 
         
 
(Publicada no jornal Página 20 , em agosto de 2002)
 
         
 

Francisco Dandão

voleibol começou muito cedo na vida do cidadão Radamés Latari. Mal completados 16 anos, ele já era treinador do Botafogo do Rio de Janeiro. Hoje, aos 45, exercendo o cargo de coordenador da Liga Nacional de Voleibol, Ramadés pode ser considerado um dos técnicos mais vitoriosos do país dirigindo a seleção brasileira da modalidade, onde ficou de 1996 a 2000.

     São inúmeros os seus títulos. Casos, por exemplo, de um bicampeonato sul-americano (1997/1999), uma vitória na Copa do Mundo de 1997 e um vice-campeonato no Pan-Americano de 1999. Sem contar outras colocações expressivas, como o 4º lugar no Mundial de 1998 e o 6º posto nos Jogos Olímpicos de Sydney.

     Pois é essa personalidade do esporte brasileiro que se encontra desde ontem em Rio Branco , participando do "1º Congresso de Educação Física do Acre", evento promovido pelo Departamento de Educação Física e pela Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da Universidade Federal do Acre (Ufac).

     Confira abaixo os principais pontos de uma entrevista exclusiva concedida ao Página 20 .

Página 20 - Que tipo de benefícios para os profissionais de Educação Física pode trazer um congresso como esse que a Ufac está realizando?

Radamés - Eu acho que pode trazer inúmeros benefícios, a médio, a longo e mesmo a curto prazos. Porque eu acho que você vai capacitar ainda mais os profissionais de Educação Física que residem aqui no Acre, eles vão ter condições de trabalhar melhor os seus alunos e, consequentemente, no futuro você vai ter alunos que vão chegar com uma base melhor. E, ao mesmo tempo, faz com que você possa ter um intercâmbio, uma troca de idéias, uma troca de opiniões entre os diversos profissionais. Com isso, com a intercessão das diferenças, o produto será sempre melhor.

Página 20 - Em nível de Brasil, professor, qual é a realidade hoje da Educação Física?

Radamés - Eu acho que a Educação Física vem crescendo muito no país, desde a hora em que virou uma profissão regulamentada. Os profissionais de hoje em dia tiraram muito daquele estigma de que o professor de Educação Física era aquele cara que não queria fazer muita coisa, tinha uma boa vida etc. Hoje todo mundo vê a importância da Educação Física no desenvolvimento do ser humano, no desenvolvimento de uma sociedade, onde as pessoas que têm um bom condicionamento vão ter uma vida melhor. Hoje, um profissional de Educação Física estuda profundamente disciplinas como física, biologia, anatomia, fisiologia, psicologia, adquirindo um apurado conhecimento do corpo humano e só depois é que parte para a prática.

Página 20 - E quanto à palestra que o senhor foi convidado para ministrar nesse 1º Congresso de Educação Física do Acre, sobre ser a motivação o caminho para o sucesso. Dá para explicar como é que esse tipo de conceito surgiu na sua vida?

Radamés - Isso aconteceu há cerca de três ou quatro anos atrás, quando o patrocinador da seleção brasileira, o Banco do Brasil, uma vez me convidou para fazer uma palestra para os gerentes de todos os bancos das regiões Norte e Nordeste e, numa outra ocasião, para os gerentes dos bancos sediados na região Sudeste. E aí eu fiz o que eu acho importante para pessoas que ocupam um cargo de liderança, seja um treinador, um professor ou um gerente, que foi uma comparação dos problemas do esporte, vinculados a outras áreas. E com isso eu desenvolvi esse tema, onde abordo o lado psicológico, discorrendo como um treinador deve se comportar e como deve motivar os seus atletas. Enfim, eu acho que acabou se transformando numa palestra bem interessante.

Página 20 - É correto afirmar, então, que as técnicas motivacionais eram usadas como um recurso constante quando da sua passagem pela seleção?

Radamés - É correto afirmar isso sim. Durante o tempo em que estive na seleção brasileira eu colocava em prática tudo aquilo que ia aprendendo. Eu acho que na vida a gente está sempre aprendendo e para que você evolua é preciso você estar sempre achando que ainda não aprendeu tudo e que ainda tem muita coisa a vir pela frente.

Página 20 - Sob o seu comando a seleção brasileira de voleibol esteve sempre entre as maiores equipes do mundo. Mesmo assim chegou o momento de passar a bola para um outro técnico. Houve algum problema, alguma pressão de dirigente, desentendimento com jogador, alguma coisa?

Radamés - Desde o primeiro momento em que entrei na seleção brasileira, no final de 1996, eu coloquei na cabeça que queria trabalhar um ciclo olímpico e que no dia em que terminasse aquilo eu deixaria a equipe, por mais que fosse campeão ou último colocado. O que é importante é cada um saber que existe o seu momento de cumprir uma determinada missão. Eu acho que cumpri a minha e outros devem vir para dar prosseguimento ao trabalho. Eu comecei a trabalhar com 16 anos como treinador de voleibol no Botafogo, depois fui para o Flamengo e passei por inúmeras equipes do Brasil e do exterior, trabalhei em Portugal e na Itália. Então, chegou um momento em que eu achei que tinha que dar um basta naquela minha missão e começar uma outra, que é a de uma paixão que eu tenho: a parte de administração esportiva. É isso que eu agora estou tentando levar adiante. Nesse momento eu estou na Confederação Brasileira de Voleibol, mas também tenho um grande amor pelo Flamengo, meu clube do coração, tanto que pertenço a um grupo que está brigando para ocupar a direção do clube.

Página 20 - Por falar nisso, o Flamengo tem uma dívida monstruosa, absurda, de incontáveis milhões de dólares. A propósito, o grupo ao qual o senhor faz parte sabe os caminhos para sanar essa dívida?

Radamés - Nós temos algumas idéias, sendo que a primeira delas é criar formas de tornar o clube superavitário. Depois disso, o caminho é renegociar todas as dívidas. Existem idéias, mas o Flamengo nos últimos anos foi tão mal administrado que somente quando se entrar lá é que realmente se terá condições de saber o tamanho do estrago que foi feito.

Página 20 - Voltando para a questão do voleibol, e a título de encerramento desta entrevista, o que se pode esperar da seleção brasileira sob o comando do Bernardinho?

Radamés - Daqui a 15 ou 20 dias vai estar começando o campeonato mundial na Argentina. Eu acho que Brasil, Rússia, Iugoslávia e Itália, qualquer uma dessas quatro equipes pode conquistar o título. Eu sou suspeito para falar do Bernardo, porque ele é um dos maiores amigos que eu tenho na vida, é como se fosse um irmão, é uma pessoa que eu admiro bastante. Eu tenho certeza de que ele vai conseguir no masculino o mesmo sucesso que atingiu no feminino e estou certo igualmente que o Brasil vai brigar por esse título, o único que falta ao voleibol brasileiro.

 
         
 
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© Francisco de Moura Pinheiro