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Francisco Dandão
 restes a completar 72 anos de vida (ele nasceu no dia 9 de março de 1937, em Fortaleza), o cearense Aderson Maia Nogueira nem de longe pensa em se aposentar do exercício da sua maior paixão, que é a de dirigir entidades de classe ligadas ao jornalismo esportivo. Ao contrário: os planos são de ainda permanecer muito tempo exercendo atividades nessa área.
A paixão é tamanha que Aderson divide o seu tempo atualmente à frente de três dessas entidades: a Associação Brasileira de Cronistas Esportivos, a Associação dos Profissionais da Crônica Desportiva do Ceará e a Federação de Periodistas Desportivos das Américas. E ainda é membro do comitê executivo da Association Internationale de Press Sportive.
Não bastasse tudo isso, como se quisesse provar que um dia pode ter bem mais do que meras 24 horas, Aderson Maia também preside dois outros organismos vinculados à comunicação: o Sindicato dos Radialistas e Publicitários do Ceará e a Federação Nacional dos Radialistas Profissionais, dos Trabalhadores em Rádio, Televisão e TV a Cabo.
No próximo mês de março, para não fugir à regra que escolheu para a própria vida, Aderson Maia concorre ao seu quinto mandato à frente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace). E foi para falar, basicamente, dessa nova candidatura que ele me recebeu no seu modesto escritório, localizado no bairro Pio XII, na cada vez mais bela Fortaleza.
Confira nas linhas que seguem os principais trechos da entrevista.
Primeiramente, meu caro Aderson, eu gostaria de saber como é que você chegou à presidência da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace)?
Aderson – Bom, eu estou na Abrace desde 1975, o primeiro ano após a fundação da entidade. Em 1992, eu fui nomeado diretor jurídico da associação pelo presidente Lombardi Júnior. Em 1994, infelizmente, com a morte do Lombardi Júnior, a entidade ficou mergulhada numa espécie de caos e, então, eu fui encarregado de proceder a redação de um novo estatuto, fato esse que fez o meu nome crescer entre os associados. Quando foi no ano seguinte, 1995, lá em Alagoas, ano de eleição, todo mundo chegou pra mim dizendo que eu deveria ser o novo presidente da Abrace. Dos 25 delegados aptos a votarem, as regiões Norte e Nordeste eram donas de 13 desses votos, o que já me colocava numa posição de vantagem na disputa. E fora esses votos das duas regiões, vários outros estados resolveram me acompanhar. De forma que, no final, a minha candidatura acabou tendo 18 dos 25 votos, numa eleição bem expressiva.
Antes de você assumir, a presidência da entidade havia sido sempre exercida por jornalistas do Sul e do Sudeste do país. Como é que essas duas regiões reagiram a essa mudança no eixo do poder?
Aderson – Em princípio houve uma certa reação. Mas não uma reação de caráter pessoal. Eu diria que uma reação administrativa. Mas depois todos eles compreenderam que o trabalho que eu estava fazendo aqui no Nordeste era um trabalho bem feito. E desse trabalho bem feito o que resultou foram as minhas sucessivas reeleições, praticamente por unanimidade, sem quase nenhuma pressão por candidatos do sul do país. E agora vamos ter novas eleições, onde eu acredito até que não haverá concorrente. Muito embora, deve-se registrar, eu não ache que a falta de concorrência seja algo muito salutar. O ideal, no meu ponto de vista, é o confronto de candidaturas, justamente para que se justaponham idéias e projetos. A questão é que o trabalho que a gente tem feito está dando certo, graças a Deus, e isso faz com que dificilmente surjam eventuais dissidências. Eu hoje tenho amigos em todos os cantos do Brasil!
E o que significa ser presidente da Abrace?
Aderson – Primeiramente, devo dizer que é uma enorme satisfação ser presidente da Abrace. Para você ter uma idéia da nossa associação, em termos planetários, o Brasil é hoje o país com o maior número de cronistas esportivos cadastrados do mundo, com cerca de dez mil profissionais nos seus quadros. E isso, fundamentalmente, graças ao trabalho que a gente desenvolveu na Abrace. E note que esse número que eu estou dizendo é só dos cronistas que estão com a carteira da entidade, porque existem muitos, é claro, que ainda não são registrados. Provavelmente, aliás, é por conta dessa dedicação, em estar sempre procurando o melhor para os cronistas esportivos filiados à entidade que os companheiros tem me reconduzido tantas e tantas vezes ao posto de presidente. Tudo isso me dá forças para continuar a luta e me faz acreditar que na próxima eleição poderei ser novamente eleito. O que será uma renovada honra, eu não canso de repetir.
Para o próximo mandato, caso se confirme a tendência da sua reeleição, o que é que você pretende realizar de novo, alguma coisa que você ainda não realizou?
Aderson – Nesse sentido de novidades, já existem inovações inclusive para o próximo congresso, esse de março, em Fortaleza. No caso, eu falo do plano de trabalho, que não será mais um plano da diretoria ou do presidente da Abrace. Será, isso sim, um plano de todos os estados. Trocando em miúdos: vão ser realizadas reuniões setoriais, por regiões. Ou seja, a Abrace tem um vice-presidente para cada região, sendo que esse dirigente vai reunir com os representantes dos estados afetos à sua jurisdição e depois levar as sugestões e reivindicações para o conhecimento dos demais, na assembléia geral. A partir daí é que será elaborado o plano de trabalho da entidade para o mandato seguinte, seja eu o eleito ou não. É um plano de trabalho para a Abrace e não para o presidente eleito. A diretoria que for eleita vai ter que cumprir o combinado porque vai se tratar de um plano elaborado e aprovado no congresso nacional.
A imprensa esportiva brasileira, que imprensa é essa?
Aderson – Eu acho que a imprensa esportiva brasileira é a mais completa imprensa esportiva do mundo. Principalmente aqueles que fazem rádio e televisão, eles conseguem transformar qualquer jogo em um evento sensacional. Dou um exemplo: recentemente, num dos últimos jogos do Fortaleza no campeonato brasileiro da segunda divisão, um jogo que não valia coisa nenhuma para os dois envolvidos, a imprensa esportiva cearense conseguiu botar cinqüenta mil pessoas no Castelão. A imprensa esportiva brasileira é uma imprensa dedicada. Claro, existem muitos defeitos também. Existem repórteres, também a título de exemplo, que muitas vezes confundem a prática de bem informar com uma defesa apaixonada do clube do coração, fazendo com que, muitas vezes, o usuário da informação fique ainda mais desinformado. Mas esses, eu acredito, não são a regra. No geral, as virtudes da imprensa esportiva brasileira superam os seus defeitos.
E sobre o momento do futebol brasileiro, que momento é esse?
Aderson – O futebol do Brasil hoje, para mim, continua sendo o melhor do mundo. Eu digo isso desde sempre e vou continuar dizendo. Mesmo nos momentos ruins eu acredito que o nosso futebol é superior ao dos outros países. Prova de que eu acredito sempre foi um fato que aconteceu comigo, no primeiro semestre de 2002. Naquela oportunidade, o Brasil quase não se classifica para a Copa do Mundo. Eu estava em Atenas, num congresso internacional, eu e o amazonense Dudu de Paula, quando veio um radialista nigeriano me entrevistar. E o moço me perguntou o que é que estava acontecendo que o Brasil não era mais favorito a coisa nenhuma. O que é que eu achava da futura participação do Brasil na Copa da Ásia. Eu respondi na bucha que o Brasil seria campeão ou, no mínimo, vice. Quando eu disse isso, correu cronista de todo o mundo para saber as minhas razões. E eu respondi que aos jogadores brasileiros bastava uma preparação adequada, coisa que eles normalmente não tinham. Numa época de Copa do Mundo, com os jogadores concentrados no seu trabalho, com tempo para exercícios e descanso, o Brasil era sempre favorito. No fim das contas, eu acabei acertando e o Brasil sagrou-se campeão daquela Copa.
Mas há um grande êxodo de jogadores brasileiros para o exterior... Isso não traz algum prejuízo para o nosso futebol?
Aderson – Nenhum prejuízo. O Brasil tem uma capacidade enorme de produzir novos jogadores. Mesmo não havendo mais os campos de várzea de antigamente, que faziam nascer craques a perder de vista, mesmo assim, nós temos ainda um contingente quase infinito de garotos que jogam demais. Muitos deles, também como antigamente, tanta é a oferta, nem chegam a lugar algum, perdendo-se pelo caminho. Mas que nós temos meninos com potencial, isso se vê a toda hora, em qualquer lugar. Basta ter organização. O São Paulo é um exemplo disso: vende um grande jogador e já tem outro na espera para lançar. O Fluminense manda até menino com idade de juvenil para o exterior. Tem dois gêmeos que foram recentemente para a Inglaterra que já são titulares por lá. Jogador não falta aqui. E ainda vai ter por muito tempo. Em relação às demais nações, eu duvido muito que um dia exista alguma que produza tantos novos e bons valores. O futebol brasileiro será sempre o primeiro.
Agora eu gostaria que você me falasse sobre as chances de Fortaleza ser uma das sub-sedes da Copa de 2014...
Aderson – Eu tenho absoluta convicção que Fortaleza será uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014. Pra começar, a cidade tem um estádio fabuloso, que falta pouquíssima coisa para completar a estrutura exigida pela Fifa. Independente disso, o Castelão tem um plano de expansão que é a coisa mais linda do mundo. Fortaleza, além disso, tem umas das maiores cadeias de hotéis de cinco estrelas do Norte e Nordeste do país. Fortaleza é uma cidade projetada, com características de um tabuleiro de xadrez, o que facilita a ida ao estádio. No próprio estádio vão construir hotéis, restaurantes, hospitais, pronto-socorro de emergência. O que se projeta para o Castelão é um negócio fabuloso. Mesmo quando se propunham dez sedes para a Copa de 2014, Fortaleza já seria uma delas. Agora, que serão doze sedes, eu não tenho nenhuma dúvida disso. Na comparação com a maioria das demais candidatas, Fortaleza leva uma ampla vantagem.
Para fechar a nossa conversa, você que durante tanto tempo tem permanecido numa janela privilegiada do futebol brasileiro, eu lhe proponho fazer uma lista com os melhores jogadores de todos os tempos, dois por posição... Você consegue?
Aderson – Consigo, é lógico... É fácil. Anote aí. No gol, pela ordem, Taffarel e Gilmar. Na lateral-direita, sempre pela ordem, Djalma Santos e Carlos Alberto. Na zaga central, Mauro e Bellini. Quartos-zagueiros: Orlando Peçanha e Aldair. Na lateral-esquerda, Nilton Santos e Júnior. Meio campistas, considerando três posições: Zito, Didi e Gerson seriam os meus titulares; Rivelino, Clodoaldo e Dunga seriam os suplentes. Atacantes, novamente três titulares e três suplentes: Garrincha, Vavá e Pelé, como titulares; Jairzinho, Zico e Canhoteiro, como suplentes. Considero todos esses craques excepcionais, brasileiros que verdadeiramente deslumbraram o mundo em suas respectivas épocas. Mas, como eu lhe disse antes, o Brasil tem uma capacidade tão grande de produzir jogadores maravilhosos que eu poderia, de pronto, escalar outras equipes de níveis muito semelhantes. Sem nenhum medo de ser feliz!
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