| Alimento amazônico com alto valor protéico Professora da Ufac utilizou produtos típicos da região para desenvolver o "cereal matinal" |
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| Francisco Dandão | (Publicado no Jornal Página 20 - Maio de 2003) |
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Luzenira, que trabalhou sob a orientação da doutora Hilary Castle de Menezes, conseguiu criar um produto de alto teor protéico vegetal, a partir da junção da castanha e da mandioca, na proporção de 60% do primeiro produto e 40% do segundo. A tese, que foi aprovada com louvor em fevereiro deste ano, mereceu menção em diversos jornais da grande imprensa nacional, sendo indicada para publicação por opinião unânime da banca examinadora. A idéia de realizar o trabalho, de acordo com a professora/pesquisadora, se deu a partir do momento em que ela começou a se questionar sobre os motivos que levavam a castanha-do-brasil coletada no Acre a ser exportada logo após passar pelo processo de semidesidratação, praticamente não gerando renda nenhuma em nível local. "Aquilo me incomodou durante muito tempo, até que eu resolvi tentar achar uma solução", diz Luzenira. O invento da professora Luzenira, batizado de "cereal matinal", do ponto de vista do teor nutritivo, oferece várias vantagens para os consumidores. "Pessoas que não comiam carne bovina, frango ou suíno, por exemplo, e que eram obrigadas a consumir proteína de soja, agora têm uma opção. E com a vantagem de que o cereal matinal tem 22% de proteína, enquanto carne bovina, apenas 17%", afirma a pesquisadora. Para chegar ao produto pronto para o consumo, a mistura de castanha-do-brasil e mandioca deve ser submetida a um processo de extrusão. Ou seja, a massa passa por uma máquina com muita pressão, onde é cozida e plasticizada através de um parafuso, até sair por uma passagem muito estreita e, com a pressão normal do ar, ganhar a aparência de um "cereal matinal", leve, crocante e no formato escolhido. Cópias da tese da professora Luzenira, intitulada Processamento de cereais matinais extrusados de castanha-do-brasil com mandioca , podem ser encontradas e consultadas por qualquer pessoa na Biblioteca Central da Ufac. ALIMENTO SERVE PARA PREVENIR VÁRIAS DOENÇAS - As análises laboratoriais do "cereal matinal" criado pela pesquisadora Maria Luzenira de Souza detectaram um alto teor de selênio (microelemento mineral essencial ao funcionamento do organismo humano) no produto, fator que o torna extremamente útil na prevenção de várias doenças, como certos tipos de câncer, complicações vasculares e distúrbios do sistema nervoso. "No caso de doenças como arterioesclerose, câncer, artrite, cirrose e enfisema, há indícios de que o selênio atue como elemento protetor. Níveis sangüíneos de selênio têm se apresentado mais altos em indivíduos saudáveis do que nos que apresentavam diversas formas de câncer. Considerado tóxico por muitos anos, recentemente se descobriu que esse elemento em pequenas quantidades é absolutamente necessário à dieta humana", relata Luzenira. O conteúdo de selênio no corpo humano é da ordem de 10 a 15 mg e o consumo diário requerido de 0,05 a 0,1 mg, sendo que entre os seus benefícios terapêuticos mais evidentes inclui-se o de exercer no organismo função antioxidante e o de reforçar a absorção de vitamina E. CASTANHA-DO-BRASIL: UM DOS ALIMENTOS VEGETAIS MAIS COMPLETOS - A castanha-do-pará, que o Ministério da Agricultura classificou como castanha-do-brasil para efeito de comércio exterior, foi regulamentada com essa designação através do Decreto nº 51.209 de 18/08/61. A planta cresce em toda a floresta amazônica, produzindo frutos (ouriços que contêm amêndoas) com composição química em proteínas, lipídios e sais minerais de grande importância nutricional. Vários autores a classificam como um dos alimentos vegetais mais completos, o que levou o italiano Filipe Botazzi a denominá-la de "carne vegetal". A castanheira-do-brasil adulta é de grande porte, podendo atingir mais de 50 metros de altura, com diâmetro na base do tronco superior a 4 metros . É uma das mais importantes espécies de exploração extrativa da floresta amazônica. Tem grande participação na geração de divisas para a região, com a comercialização de suas sementes para o mercado externo e interno. O detalhe interessante é que a castanheira pode ser cultivada através de propagação por enxertia com obtenção de ótimos resultados. MANDIOCA: ELEMENTO ENERGÉTICO BÁSICO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA - A mandioca constitui-se em um dos principais alimentos energéticos básicos da população brasileira, principalmente os menos favorecidos. É cultivada em mais de 80 países, estimando-se que 500 milhões de pessoas nos trópicos a tenham como principal - e às vezes única - fonte de alimento. O Brasil, com 24,5 milhões de toneladas/ano, é o segundo produtor mundial de mandioca, sendo que a Nigéria lidera a produção, com 32,5 milhões de toneladas. Na seqüência, pela ordem, os outros países que mais produzem são Congo (18,5 milhões), Tailândia (18) e Indonésia (16). A partir dos anos 90, a ciência está transformando a mandioca em insumo nobre, de ampla utilização na indústria, mas no Brasil ainda existem fatores que contribuem para situá-la numa posição secundária em relação às outras culturas: casos da limitação na participação no mercado externo e o grande número de pequenas indústrias com alto custo de produção.
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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