Vinda do fundo da terra
a mão do homem emerge em flor
saudando a nuvem que passa devagar,
o átomo, explosão, desintegrar
o vento, onda, margem, esperar
socos no ar, ritos de amor.
Mágica, como num passe
pródiga, como uma dor
tísica, num desenlace
mórbida face sem cor.
Vinda do fundo da terra
a voz do homem sussurra
explode alegria voraz
atroz flamante janela
algoz amante esplendor
surpresa guardada pra ela.
Vindos do fundo da terra
dos pés do homem crescem desvios
eternamente encontros desafios
mistérios debruçados tardios
precipícios do medo escondidos
chamas fagulhas partidas.
Vindos do fundo da terra
tatos, sopros e caminhos
brincam de roda vôo agudo
trágicos laços finitos
relato apagado no tempo
murmúrio sopro lamento.
Mágica, como num passe
pródiga, como uma dor
tísica, num desenlace
mórbida face sem cor.
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