| Em busca da palavra perdida | ||||
| Francisco Dandão | - 2007 - |
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A professora Olinda Batista Assmar, doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), titular da cadeira 24 da Academia Acreana de Letras, do quadro de docentes do Departamento de Letras da Universidade Federal do Acre (Ufac) e pesquisadora em tempo integral é uma dessas pessoas que conseguiu perceber e se debruçar sobre a multiplicidade desses variados olhares sobre a Amazônia. Nos últimos meses de 2002, por conta dessa percepção, a pesquisadora trouxe à luz os primeiros resultados de um exaustivo trabalho de arqueologia nos arquivos deteriorados dos periódicos acreanos: um inventário de tudo o que se escreveu nos jornais da cidade de Xapuri, entre os anos de 1907 e 1984. As Dobras da Memória de Xapuri encarnam a própria tradução da perspectiva de futuro do Estado, através do diálogo do passado e do presente. Depois disso, até os dias que correm, o trabalho não mais parou. Talvez, a essa altura, seja mesmo impossível parar, tanto o que se tem para descobrir. Em todos os quadrantes do Acre, onde quer que exista a possibilidade de linhas impressas, quaisquer que sejam os escaninhos, por mais escondidos que possam estar, lá estão a doutora Olinda Assmar e os estagiários que a acompanham na tarefa de reconstruir o mundo de papel.
O eixo central desta obra, aliás, vai percorrer sempre a ponte entre as vertentes do jornalismo e da literatura. Uma e outra face do mesmo mosaico da inteligência humana, ambas eternamente tentando nos seduzir pela palavra e reveladas pela memória gravada em folhas amarelecidas. O muito que as gerações disseram ou o que não quiseram dizer, tudo está ali, vivo, como se para afirmar que o que está escrito está fadado a resistir além do tempo. Vale a pena, para quem gosta de detalhes, deter-se nas referências autorais usadas pela doutora Olinda Assmar para nortear as conclusões da sua pesquisa. Uma espécie de leitura paralela à principal. Denis de Moraes, Rildo Cosson, Alessandro Carvalho Sales, Luis Amaral, Ciro Marcondes Filho e Samira Chalub, entre outros, contribuem para enriquecer um trabalho que, eu ousaria dizer, nasce como obra obrigatória para todos os que desejarem compreender a história do pensamento acreano no século XX. A profusão de jornais e periódicos que já existiram em algum momento da história do Acre é também um aspecto que não se pode deixar de chamar a atenção. Uma constatação inequívoca de que os acreanos sempre exercitaram o seu prazer pela escrita e pela leitura. E assim o fazendo, mesmo que não tivessem tal pretensão, legaram para o futuro a maior fonte de pesquisa do pensamento e do comportamento de cada época, dia a dia, ano a ano. Ler o livro todo, de preferência de um só fôlego, em suma, é o que resta fazer a todos os que avançaram até este ponto deste prefácio. Ler, descobrir e compreender os motivos pelos quais nós chegamos aos primeiros anos do século XXI da maneira como aqui estamos. As palavras dos editoriais são tão reveladoras que ninguém nem precisa ser um grande e bom entendedor. Nítidos, mesmo à distância, os editoriais mais parecem fotografias coloridas. E à guisa de conclusão, faço um apelo para que a doutora Olinda Assmar possa publicar o mais rápido possível todas as informações que ela e a sua equipe já coletaram nas demais cidades acreanas. Afinal de contas, num tempo em que a cultura do global tenta tomar conta dos nossos sonhos e necessidades, é sempre de muitíssimo bom alvitre perceber que as raízes do nosso imaginário ainda estão bem plantadas em algum canteiro no fundo dos nossos corações. (Prefácio do livro O Imaginário Social dos Editoriais nos Jornais de Rio Branco , de autoria da professora Olinda Batista Assmar, lançado em junho de 2007) |
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© Francisco de Moura Pinheiro |
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