O ruído dos cupins
devora a minha memória,
nos traços de uma verdade
molhada de línguas errantes.
Lá fora o tempo acaba
no pedaço de papel de pão,
com as palavras escorregando
pelas beiradas da minha insônia.
Lá dentro as baratas morrem
roendo as unhas dos dedos,
sujos de batom e sangue de Deus,
único passageiro de perene agonia.
Insones somem os pedaços
do espaço que nunca esteve aqui.
E do sonho ousado por lábios e cantos
outros encantos enfim podem acontecer.
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