Francisco Dandão
 
Principal    Depoimentos    Obras    Textos     Crônicas     Entrevistas    Biografia    Fotos    Contato
   
         
  O futebol cearense pelo olhar de Tom Barros  
         
  Francisco Dandão
- Dezembro de 2008 -
 
         
 

Tom Barros já cobriu quatro copas do mundoos 61 anos, 43 dos quais dedicados ao jornalismo esportivo, o advogado e piloto de aviões Tom Barros é o que se pode chamar de profissional completo na mídia cearense. Os veículos de comunicação não têm mistérios para ele. Prova disso é a rotina desse profissional, que engloba atividades diárias no rádio, no jornal impresso e na televisão.

Depois de cobrir quatro copas do mundo (Itália, 1990; Estados Unidos, 1994; França, 1998; e Alemanha, 2006), parece incrível como ele ainda tem fôlego para apresentar dois programas de televisão (Diário no Campo e Debate Bola), fazer participações especiais e narrações esportivas no rádio e escrever uma coluna com o seu nome no Diário do Nordeste.

No meio dessa profusão de atividades é que Tom Barros encontrou um tempo para conversar comigo, numa manhã chuvosa de janeiro na bela Fortaleza. Mas foi preciso que nos refugiássemos numa sala de reuniões do Diário do Nordeste. No cômodo onde ele trabalha normalmente, seria impossível estabelecer um diálogo, tantas as vezes que o telefone toca.

Como, apesar de todas as nossas preces, o tempo não pára, foi uma conversa rápida (cerca de 20 minutos), mas esclarecedora sobre o atual momento do futebol cearense (sem nenhum representante na série A) e sobre a possibilidade do Ceará vir a ser uma das sedes da Copa de 2014. Confira nas linhas que seguem os principais trechos dessa conversa.

Futebol cearense - “É certo que o futebol cearense já esteve num estágio bem melhor, quando o Fortaleza subiu por duas oportunidades para a primeira divisão, naturalmente por conta de um bom trabalho da parte da sua diretoria, que trouxe ótimos jogadores para compor o elenco do time, mesclando-os com uma base formada por valores locais”.

“É importante frisar que na primeira vez que o Fortaleza subiu para a primeira divisão, o time era composto por sete jogadores locais e somente quatro oriundos de outras paragens. Na segunda vez, embora o resultado tenha sido o mesmo, já havia uma certa predominância de jogadores de fora. Mas eu penso que o aproveitamento de jogadores locais é essencial”.

“Atualmente, eu acho que o futebol cearense vive um momento de transição. Deixou de ser um celeiro revelador de valores, que só os vendia depois de usá-los por algum tempo. Agora está optando por importar demais, principalmente jogadores numa faixa etária mais elevada, que, praticamente, já não são mais aproveitados pelos times do sul do país”.

“Essa inversão foi um equívoco. Mas, já existem sinais de que essa situação vá ser corrigida. O Ceará Esporte Clube, por exemplo, já criou um departamento específico para cuidar das divisões de base, contratando um treinador experiente para a missão, no caso o Dimas Filgueira, que já foi, inclusive, vice-campeão da Copa do Brasil”, explicou Tom Barros.

Produção abundante - “É verdade que o dinheiro fala mais alto e que é muito difícil, levando em conta os empresários que andam por aí a cata de novos valores, segurar um garoto que se sobressai no seu clube de origem. Mas há um antídoto para isso, que é produzir novos jogadores em abundância, tal e qual o modelo adotado pelo São Paulo Futebol Clube”.

“O São Paulo, tricampeão brasileiro, a cada fim de temporada negocia vários atletas. É só consultar os arquivos dos jornais para se constatar. E a cada ano uma parte dos torcedores fica apreensiva, achando que o time está sendo desmontado. Acontece que para cada jogador que vai embora já existe outro, às vezes até melhor, que já foi preparado”.

“O trabalho sério que o São Paulo faz nas suas divisões de base, desde há algum tempo atrás, enseja que exista sempre uma peça de reposição à disposição do elenco principal. Quando foram embora Josué e Mineiro, meio campo campeão do Brasil, da América e do Mundo, lá estava o Ernanes, considerado hoje a maior promessa do futebol mundial”.

“O São Paulo é um exemplo. Segurar jogador é claro que ninguém segura. O dinheiro que os estrangeiros dispõem e oferecem pelos jovens craques brasileiros é irrecusável, tanto para o clube formador quanto para o próprio atleta. Porém, isso não se constitui num grande problema, dada essa abundância de valores espalhados pelo país”, disse Tom Barros.

A Copa no Ceará - “O Estado do Ceará leva uma boa vantagem na disputa com os demais postulantes para vir a ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 porque aqui há uma vontade política e social quase unânime para que esse fato se concretize. Tanto o Governo do Estado quanto os empresários, todos estão plenamente imbuídos desse propósito”.

“No tocante ao Governo, que já investe bastante na promoção do turismo do Ceará, a Secretaria de Esportes Estadual elaborou um projeto fantástico, que contempla detalhes que vão desde a criação da infra-estrutura adequada, vias de acesso, hotelaria, sistema de saúde, até ao cumprimento das exigências contidas no caderno de encargos da Fifa”.

“Além do mais, os concorrentes da candidatura cearense, no caso Pernambuco e Bahia, levam total desvantagem no quesito praça esportiva. Enquanto aqui nós temos o Castelão, capaz de ficar pronto apenas com uma boa reforma, na Bahia hoje nem estádio eles têm, dado aquele problema que aconteceu na Fonte Nova. Nada muito diferente de Pernambuco”.

“Com relação a estacionamento, por exemplo, a Fifa exige que existam nos estádios cerca de quatro mil vagas. E o Castelão já possui área para isso, sem precisar desapropriar nada. E um outro detalhe importante: segundo o projeto cearense, toda a energia a ser usada no estádio será de natureza eólica, absolutamente não poluente”, concluiu Tom Barros.

(Publicado em www.grandearea.com - 28 de janeiro de 2009)

 
         
         
 
VOLTAR Voltar
 
TOPO   IMPRIMIR   ENVIAR E-MAIL 
© Francisco de Moura Pinheiro