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 ma experiência de educação com seringueiros, realizada na região do município acreano de Xapuri, entre os anos de 1981 e 2007, atendendo a uma reivindicação do Sindicato de Trabalhadores Rurais da referida cidade, num primeiro momento, e depois pela ação do Centro de Trabalhadores da Amazônia, acabou se transformando numa tese de doutorado, em 2011.
O trabalho, intitulado Entre lutas, porongas e letras: a escola vai ao seringal - (re)colocações do Projeto Seringueiro (Xapuri/Acre - 1981/1990), da lavra do professor José Dourado de Souza, sob a orientação da professora Inês Assunção de Castro Teixeira, foi apresentado e aprovado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em fevereiro deste ano.
A experiência, que além de questões educacionais também contemplava atividades relacionadas à saúde e ao cooperativismo, ficou conhecida como Projeto Seringueiro, sendo desenvolvida em três fases (1981 a 1990; 1991 a 2000; 2001 a 2007) e expandindo-se gradativamente dos seringais de Xapuri para a zona rural de outras cidades acreanas.
“Considerando-se vários fatores, dentre eles a vastidão do Projeto Seringueiro, optei por tratar na tese apenas as questões relacionadas com a educação, e somente o primeiro período, ficando o segundo e o terceiro para futuras pesquisas”, afirma o doutor José Dourado, sem se furtar, entretanto, a explicar no seu trabalho em que consistiram todos os períodos.
E sobre qual seria a essência da pesquisa, José Dourado não se omite em explicar, afirmando que a sua intenção ao escrever a tese foi compreender “a experiência de educação dos seringueiros, valorizando seus aspectos internos e externos, compreendendo-a enquanto movimento social, em suas lutas em defesa do meio ambiente e pela posse da terra”.
No que diz respeito à formatação da tese, José Dourado de Souza, cuja graduação e mestrado ocorreram na área de História, dividiu-a em cinco capítulos: Alumiando a estrada, como a poronga; As colocações recolocadas; As raízes, os troncos, as lutas, as letras; Os veios, as estradas de uma escola seringueira; e As mãos que conduzem a escola ao seringal.
O trabalho completo pode ser encontrado na Biblioteca Central da Ufac.
Educação alternativa
As primeiras ações do Projeto de Educação dos Seringueiros tiveram início em dezembro de 1981, no Seringal Nazaré, em Xapuri (AC), com uma turma de 14 seringueiros. O propósito era de alfabetizá-los e ensiná-los a fazer as quatro operações matemáticas básicas, para que eles pudessem se organizar em sindicatos e montar suas cooperativas.
Em 2007, quando as últimas escolas do projeto, em seus 26 anos de existência, foram entregues ao poder público estadual, por volta de cem unidades escolares tinham sido instaladas e, aproximadamente, dezoito mil alunos haviam freqüentado suas escolas, com uma taxa de alfabetização em torno de 40%, ainda que muitas delas já tivessem, então, sido fechadas.
Vale ressaltar que, em nível de Brasil, as iniciativas com a educação alternativa fazem parte de uma prática largamente difundida, como se pode depreender, por exemplo, das experiências em comunidades de pescadores do litoral nordestino, trabalhadores da Erva-Mate do Mato Grosso, meninos de rua, grupos da terceira idade, trabalhadores do MST e comunidades indígenas.
“Dependendo de cada caso”, explica o professor José Dourado de Souza, “essas experiências são resultantes de iniciativas de pessoas ou entidades vinculadas ou não ao poder público estatal, mas todas sempre com o propósito de promover melhores condições de vida para essas populações. E a questão da educação dos seringueiros não foge disso”.
Pontos conclusivos da tese
. A educação do Projeto Seringueiro foi concebida e gestada no contexto do Movimento Social dos Seringueiros, e como um movimento social pela educação, vinculado aos movimentos de luta pela terra e de defesa do meio ambiente. Dada a conjuntura política do período, no qual as políticas de Estado colocavam-se quase sempre contrárias aos seringueiros, estes buscavam parcerias com instituições e entidades não governamentais.
. A ausência de políticas públicas e o descaso com escolas nos seringais não é algo isolado ou do momento em que se efetivou o Projeto Seringueiro, pois suas origens remontam às próprias circunstâncias da formação da sociedade dos seringais. Para Dourado, estas constatações o ajudaram a pensar com melhor clareza o período específico da sua análise, levando em conta o contexto histórico anterior e os processos sociais.
. A caracterização dos atores sociais, individuais e coletivos que interagiram no processo de constituição do Projeto Seringueiro, indicou um percurso cheio de convergências e divergências, continuidades e descontinuidades, e não apenas harmonia, linearidade e permanência. Os enfrentamentos, as contradições e as divergências estiveram muito presentes em todos os momentos do período estudado.
. As escolas foram concebidas, instituídas e estruturadas a partir de uma perspectiva que tinha a comunidade como elemento norteador |
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